FELIZ TODOS OS DIAS, AFINAL VOCÊ É UMA GUERREIRA!

por Cibele Brandão – Coordenadora de São José do Rio Preto


Quando me convidaram pra escrever essa matéria, falar sobre esse tema, mil motivos e inspirações vieram a mente. Pensei nas estatísticas, que dizem, segundo dados Sebrae e da Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor 2020 (GEM), o Brasil é o sétimo país com o maior número de mulheres empreendedoras no mundo. Dos 52 milhões de empreendedores no país, 30 milhões (48%) são mulheres.


Pensei nas mulheres que estiveram a minha volta, desde que nasci: mamãe que vendeu roupas, bijuterias, amanheceu antes do sol, para buscar uma vida melhor; tia Tereza que foi ser uma doce professora, para poder nos ajudar e dar uma vida melhor aos seus filhos; e ah, tia Helena, que lavou roupa pra fora, fez faxina, cuidou de todos e nem sempre foi a mais cuidada. Engraçado como um tema quando cai nas nossas mãos tem o poder da relembrança, mas sequer um dia as havia visto como empreendedoras. Devemos nos lembrar das pioneiras, sempre!


Aí vieram todas as mulheres guerreiras que conheci, aqui (no Conecta) e acolá (através da vida) e resolvi falar um pouco com elas, saber ainda mais das suas histórias, e perguntar a cada uma como vieram parar nesse mundo chamado ‘Empreendedorismo’.


Linda surpresa, quando li cada resposta, e me dei conta que a matéria deveria se chamar: Como nasce uma mulher empreendedora?


E descobri trilhando essa prosa, que Marias, Adrianas, Natalias, Joanas, Karicias, Patrícias, Reginas, nascem feitas, paridas de outras tantas mulheres, carregadas das suas histórias, com o DNA da força; mulheres essas que começaram tão cedo como suas filhas e suas avós e toda sua linhagem que também fez história. Sim, eu entendi que empreender pra cada uma se tornou sagrado, começou no seu tempo, um tempo cada vez mais jovem, mas com o mesmo propósito: transformar a vida da sua família, ajudar no sustento, ser arrimo, ajudar outras mulheres, transformar vidas, sim, ser melhor, sim, ser mulher, e sim, ser realizada.


Nessa prosa trilhada, encontrei meninas se tornando mulheres de espírito empreendedor, aos 12 anos, cuidando da autoestima das tias, como manicure e já pleiteando seus ganhos. Viajei nas inspirações das avós que costuravam e passavam o ensinamento, das avós e seus cheiros e sabores de bolo, que cresceram e embora a vida tomasse outros rumos, na linha do tempo, descobriram seus talentos e renascimento como empreendedoras. Ajudar o companheiro a crescer no negócio, assumir o ‘fazer acontecer, porque é preciso seguir em frente’, e muitas vezes, sozinha, é preciso alimentar, gerir, gestar a vida e por que não crescer nas dificuldades?


A análise feita pelo Sebrae tem muita verdade: além de contribuir para o crescimento da economia e para a criação de empregos, o empreendedorismo feminino transforma também as relações sociais. Quando mulheres alcançam a autonomia financeira, não precisam mais se submeter a relacionamentos abusivos e violentos, pois não dependem mais de terceiros para se sustentar”.


Conversando com algumas dessas guerreiras, em algum momento lhes peço: defina em poucas palavras "Você Mulher".


“Sinto que existe em mim uma mulher interna que deseja ser independente, empoderada, dona de si, resumindo, ela quer ser a mulher do Séc. XXI. E é essa força maior que quando meus medos e pensamentos tentam me boicotar, me lembra que eu sou capaz, e que todo sonho genuíno é possível de ser realizado. Hoje eu posso dizer que meu ‘Eu Mulher’ está muito satisfeita e feliz pelo crescimento espiritual, pessoal e profissional, e consciente de que o crescimento é contínuo”, afirma Fernanda Gasparoti Batista.


Seguindo a prosa...


De porta em porta, seja com ovos de Páscoa, trufas, bolos ou colocando rejunte no chão. Acordando às 4h, dormindo às 23h e embalando os filhos às 24h. Educando, sonhando e compartilhando, seja lá onde estou, se puder, levo mais uma comigo e espalho o que aprendi. Assim é nossa rotina. Recomeço, revejo, revisito e revalorizo, me permito.


E o que deixo como estatística, sobre a mulher empreendedora e seu poder gerador de empregos e transformadora de vidas:


De acordo com o Sebrae, as mulheres vêm lutando há anos por igualdade social e por mais espaço no mercado de trabalho. Mas, apesar dos grandes avanços e conquistas, ainda existem muitos desafios a serem enfrentados.


Talvez nosso lado frágil, sensível, empático, nosso lado passional, nos torne mais reativas às adversidades da vida. Vejo isso a cada turma do Conecta, que traz em sua essência um número muito maior de mulheres, de todas as cores, todos os caminhos, de todos os lados e situações, com todas as suas dores e necessidades, com toda sua garra e determinação. E voltando as estatísticas...


Uma pesquisa do Sebrae com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que as empreendedoras foram mais ágeis na hora de implementar inovações em seus negócios e digitalizar as operações. Cerca de 71% delas usam redes sociais, aplicativos e a internet para vender seus produtos e serviços, frente a 63% dos homens. E 11% das empreendedoras disseram ter inovado em seus negócios durante a crise, enquanto somente 7% dos homens declararam ter olhado para esse quesito.


Arregaçar as mangas e reconstruir a vida, renovar o sustento, buscar melhoria na qualidade de vida, não só da família como das suas comunidades. Restaurar e refazer a autoestima e usar da autorresponsabilidade, de sol a sol para um mundo melhor. Que caiam as barreiras, que seja libertador o exercício do labor próprio, da criação com as próprias mãos, do reinventar receitas, de amassar o pão, o pão nosso de cada dia.


Além do preconceito, as mulheres precisam conciliar todas as suas responsabilidades da vida pessoal com a profissional. É desafiador, mas possível!


Para finalizar essa prosa, perguntei a elas como definem o poder feminino no empreendedorismo em palavras e dicas para outras mulheres:


“Não deixem se abater pelo que outros falam sobre suas escolhas. Apenas escute, absorva o que te agrega, respire fundo, e jogue para o universo”. Natascha Lindquist


“Nos primeiros 2 anos você vai querer desistir por tantos obstáculos que irão surgir no seu caminho, mas lembre-se: o resultado que você não tem, está no conhecimento que você ainda não adquiriu. Então foque na tríade do sucesso: Conhecimento, Ambiente e Atitude.

1- Conhecimento: NUNCA PARE de estudar. Se pergunte todo dia: o que eu aprendi hoje?

2- Ambiente: se você está ao redor de pessoas que só reclamam que está tudo caro, do governo etc., você também só irá reclamar. Mude seu círculo de amizade, virtualmente ou presencialmente, mas foque em pessoas que te ensinem e que sejam mais bem sucedidas que você, mesmo que isso te deixe desconfortável!

3- Atitude: estude e APLIQUE! Deixe o medo de lado e faça acontecer”. Valéria Santana


“Acredite e saiba que você é capaz e tem habilidades para o seu negócio, mas também saiba admitir quais habilidades você não tem e que são necessárias adquirir. E vamos sempre lembrar que: sucesso não é algo que se possa quantificar, não use o sucesso do outro pra medir o seu. Trace suas metas, comemore e agradeça quando conquistá-las. Entenda que se pra você três metas conquistadas é sucesso alcançado, ok, e se pro outro são sete metas alcançadas, ok também. O sucesso é subjetivo, você precisa saber o que é sucesso pra você, e isso vai te ajudar a saber onde você quer estar amanhã”. Fernanda Gasparoti Batista


Perfeito o recado dado!



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